No paladar o gosto de café. Forte, bem forte. Pode não ser uma boa hora pra esse tipo de bebida e a cafeína pode me tirar algumas horas de sono essa noite. Mas não faz mal. Quando se tem alguém pra lembrar no final do dia, e essa lembrança é tão boa e confortável quanto é a minha agora, já não importa em qual hora esse dia vai acabar. Se o sono só virá amanhã pela manhã... não importa. Por que amanhã também terei um bocado de lembranças para desgustar de-li-ci-o-sa-men-te, sem pressa. Hoje acabam-se minhas férias. É dia de voltar não pra casa, mas pra minha casa. Pro meu canto todo rosa cheio de você. As coisas tendem a ser silenciosas por aqui. Mas hoje esse silêncio me traz paz, e eu o agradeço. Agradeço pela companhia, sempre. Pelos sorrisos fáceis que me deixou arrancar, e pelos não tão fáceis também. Pelo carinho, demostrado pelas suas mais inusitadas formas. Os roxos da minha perna devem permanecer por mais algumas semanas... Pela nossa amizade, que é cheia de Amor. Amor com letra maíscula, com direito à choro e briga. Com direito ao melhor abraço de todos os mundos, aos beijinhos, aos milhões deles que acontecem sem esforço, ao olhar que eu gosto mesmo é de ver de perto. Perto. Perto. Mais perto. A minha vida é mais vida desde que te tenho ao meu lado. E já nem sinto mais o gosto do café. Mas você continua aqui. Forte, bem forte.
de todos eles, acho que pensei algumas boas coisas pela manhã.
Mas já faz tanto tempo pra lembrar... deixei-os no ar, pro ar. (...)
segunda-feira, 25 de julho de 2011
"— Por que não ter memórias? Os buracos negros, eu quis dizer. Mas fiquei quieto, desejando apenas ter um disco qualquer de cítara tocando para que nesse momento pudéssemos interromper a conversa para prestar atenção num acorde qualquer entre duas cordas, mais um silêncio que um som. Sempre podíamos ouvir a chuva, seu bater compassado na vidraça. Ou acompanhar com os olhos as gotas escorrendo atrás do roxo e do amarelo. De pontos diferentes, às vezes duas gotas deslizavam juntas para encontrarem-se em outro ponto, formando uma terceira gota maior. Mas talvez ele achasse tedioso esse tipo de diversão. —Ter memórias — repeti." Caio F.