E temo mesmo é ter perdido a doçura da doçura do verbo. Escrever sempre foi fácil pra mim, pequeninos detalhes do dia-ou-noite-pôr-do-sol-ou-clarear-do-dia habitualmente se tornavam palavras inicias de qualquer lero lero. Lembro com carinho de um dia em que vi um mendigo em um ônibus e ele me causou muito incômodo. Digo incômodo no sentido de pertubar meus pensamentos. Foi bom escrever sobre ele naquela noite. Ainda me lembro da sua imagem. É comum que a poesia seja confundida com tristeza, melancolia e dramatização, tenho pensado sobre isso. O estereótipo um poeta, concorde comigo, ou é louco ou é triste. Ainda que sábio, é louco, ou triste. Se não ambos. Oras, nem poeta eu sou. Louca. São tantas as formas de ser louca.... Triste, eis o ponto em que quero chegar. Se concordar com os demais, acabo com minha dúvida. Ando sendo pouco triste, então pouco escrevo. Problemas... ahh problemas não me faltam, caso saiba de alguém que precise de alguns. Mas tristeza mesmo, tristeza feia e com T maiúsculo, pouco me visita. Esta seria a explicação mais rápida. E mais superficial. Escrever sempre me fez tão bem, tão bem... e é tão injusto ligar essa coisa toda que vem-de-tão-de-dentro-da-alma da gente à ideia de tristeza. Já escrevi muito enquanto era feliz. Então prefiro acreditar que meu abandono é por mera perca de hábito. Portando hoje peço à mim mesma, que retorne o hábito, que me voltem as palavras. Pensei nisso enquanto tomava banho, talvez já seja um recomeço... É... pois bem... até breve.
de todos eles, acho que pensei algumas boas coisas pela manhã.
Mas já faz tanto tempo pra lembrar... deixei-os no ar, pro ar. (...)
quinta-feira, 7 de julho de 2011
"— Por que não ter memórias? Os buracos negros, eu quis dizer. Mas fiquei quieto, desejando apenas ter um disco qualquer de cítara tocando para que nesse momento pudéssemos interromper a conversa para prestar atenção num acorde qualquer entre duas cordas, mais um silêncio que um som. Sempre podíamos ouvir a chuva, seu bater compassado na vidraça. Ou acompanhar com os olhos as gotas escorrendo atrás do roxo e do amarelo. De pontos diferentes, às vezes duas gotas deslizavam juntas para encontrarem-se em outro ponto, formando uma terceira gota maior. Mas talvez ele achasse tedioso esse tipo de diversão. —Ter memórias — repeti." Caio F.