Maio.Véspera da metade do ano. E metade do ano assusta. Mês que vem ta aí, camisa xadrez, festa Junina, daqui a pouco é Natal. Mas afinal, o que é um ano se não um aglomerado de meses, e estes mais um aglomerados de dias e noites? Eu imagino os dias como cartilhas pra preencher. Dia e noite é como papel e caneta. O resto é você. É eu. É o nosso rabisco. Manuscrito. Nosso desenho. E é o nosso jeito de preencher os dias que mais tarde (mas acredite: é logo) vai trazer sossego, alívio, roupa e alma branca no ano novo. Mas que besteira falar de final de ano agora... não sei como vim parar aqui. A questão é que eu queria te dizer, que você anda me ajudando em meus rabiscos. E que há tempo preenche meus dias sem esforço. Hoje sorriso e beijo seu me abraçam e eu os peço que fiquem. Que voltem sempre. E que se puderem, nunca vão embora (se por ventura forem, que seja só pra tomarem força e voltarem mais apertados.) Hoje você me traz felicidade. Preenche-me dia e noite. Dia e Noite. Madrugada, Fim de tarde...
de todos eles, acho que pensei algumas boas coisas pela manhã.
Mas já faz tanto tempo pra lembrar... deixei-os no ar, pro ar. (...)
segunda-feira, 9 de maio de 2011
"— Por que não ter memórias? Os buracos negros, eu quis dizer. Mas fiquei quieto, desejando apenas ter um disco qualquer de cítara tocando para que nesse momento pudéssemos interromper a conversa para prestar atenção num acorde qualquer entre duas cordas, mais um silêncio que um som. Sempre podíamos ouvir a chuva, seu bater compassado na vidraça. Ou acompanhar com os olhos as gotas escorrendo atrás do roxo e do amarelo. De pontos diferentes, às vezes duas gotas deslizavam juntas para encontrarem-se em outro ponto, formando uma terceira gota maior. Mas talvez ele achasse tedioso esse tipo de diversão. —Ter memórias — repeti." Caio F.