Tentei enumerar meus pensamentos e senti vontade de poder lembrar
de todos eles, acho que pensei algumas boas coisas pela manhã.
Mas já faz tanto tempo pra lembrar... deixei-os no ar, pro ar. (...)


domingo, 24 de abril de 2011

(Bocejos).Uma voz vem da varanda: - Também, não pregou o olho a noite inteira. Hahahahah... e aquele sorriso de dentes ainda de leite. Mãe, como será ele fez isso? Tia, usou todas as minhas canetinhas e me deixou vários bilhetes. Fez um caça ao tesouro pela casa toda, e ainda deixou marcado os seus rastros, as suas patinhas. Como ele fez isso? Pai... Olha só esse aqui: "Muito bem garotinha, você já está pertinho dos seus ovinhos, agora que tal procurar na cozinha? Desculpe-me por usar suas canetinhas sem permissão, mas as deixei arrumadinhas ao lado da sua cama. Continue estudando e tirando boas notas e até a próxima páscoa!"

Depois era comum passar o dia escolhendo e desmotando quais pedacinhos seriam devorados... uma cesta cheia, colorida, deliciosa. As noites de páscoa sempre foram tão longas pra mim.Eu derretia dentre os cobertores pra ficar espiando esse bendito coelho. Nunca o vi, mas tenho saudade. 

"— Por que não ter memórias? Os buracos negros, eu quis dizer. Mas fiquei quieto, desejando apenas ter um disco qualquer de cítara tocando para que nesse momento pudéssemos interromper a conversa para prestar atenção num acorde qualquer entre duas cordas, mais um silêncio que um som. Sempre podíamos ouvir a chuva, seu bater compassado na vidraça. Ou acompanhar com os olhos as gotas escorrendo atrás do roxo e do amarelo. De pontos diferentes, às vezes duas gotas deslizavam juntas para encontrarem-se em outro ponto, formando uma terceira gota maior. Mas talvez ele achasse tedioso esse tipo de diversão. —Ter memórias — repeti." Caio F.