To com uma vontade louca de sair correndo pela rua. De deixar que essa chuva gelada grude a roupa que eu uso no meu corpo feito um abraço, quentinho, com cheiro de "to em casa". Eu to tão afim de me sentir em casa de novo. Rua da Liberdade esquina com Venha me ver de vez enquando. Que vente muito. Quero cabelo na cara, maquiagem borrada, sapatos jogados no meio do caminho. Ou do lado da tua cama. Queria quebrar todos os relógios do mundo e aniquilar cruelmente todos os calendários. Seria quase uma 3° Guerra Mundial. No mundo de gente louca como eu. A seguir, visitar o departamento de destinos. Tirar todo o pó dessa sala. Acender as luzes. E com papel, lápis e borracha brincar de acertar as coisas. De escrever a minha versão da história. Pra mim, pra você, pro padeiro, pro vendedor de flores, pra minha filha. Pra nós. De transformar tristeza numa lei contra a gravidade. Porém um "mas" sempre tende a aparecer. E enquanto ele não deixa que eu me renda à essas vontades sem cabimento mas-com-todo-o-coração-do-mundo, eu to aqui. Nesse hospício que é a minha cabeça. Com meus eternos 3 pontinhos do final da história. Meus eternos 3 fantasmas. Quem sabe amanhã não saia o maior sol. Né?
de todos eles, acho que pensei algumas boas coisas pela manhã.
Mas já faz tanto tempo pra lembrar... deixei-os no ar, pro ar. (...)
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
"— Por que não ter memórias? Os buracos negros, eu quis dizer. Mas fiquei quieto, desejando apenas ter um disco qualquer de cítara tocando para que nesse momento pudéssemos interromper a conversa para prestar atenção num acorde qualquer entre duas cordas, mais um silêncio que um som. Sempre podíamos ouvir a chuva, seu bater compassado na vidraça. Ou acompanhar com os olhos as gotas escorrendo atrás do roxo e do amarelo. De pontos diferentes, às vezes duas gotas deslizavam juntas para encontrarem-se em outro ponto, formando uma terceira gota maior. Mas talvez ele achasse tedioso esse tipo de diversão. —Ter memórias — repeti." Caio F.