Tentei enumerar meus pensamentos e senti vontade de poder lembrar
de todos eles, acho que pensei algumas boas coisas pela manhã.
Mas já faz tanto tempo pra lembrar... deixei-os no ar, pro ar. (...)


terça-feira, 5 de outubro de 2010

mais ou menos assim...

Sabe... dizem que a faculdade é a melhor época da vida, que é nela que fazemos as amizades que vão ficar de verdade. Como de costume, eu também dúvidas sobre isso... minha mãe por exemplo não tem mais contatos com as suas amigas, talvez ela nem saiba o paradeiro delas. Verdade ou não isso eu deixo pra descobrir daqui 3 anos e alguns meses. Mas uma coisa eu tenho certeza, é na faculdade que você realmente aprende alguma coisa. Eu adorava física, no terceiro ano do colégio era a minha matéria favorita, junto a história e literatura. Mas física... eu sentia prazer em resolver aqueles exercícios cabulososíssimos,  eu amava conseguir resolvê-los. O teto do meu quarto já não era mais um teto qualquer, era um céu de fórmulas e regras, cartazes e cartolinas colados por todos os cantos. Talvez eu não soubesse e até me queixasse, mas eu amava a idéia de estar sempre rodeada por idéias. Hoje eu parei pra pensar e percebi que tudo o que eu achava que tinha aprendido de verdade, já é raso na minha memória. E o que ficou mesmo do meu ensino médio é a lembrança que se faz metade saudade, de amigos e daquele tipo de rotina de ainda poder levar as coisas na brincadeira. Se eu pudesse nomear esse ano, o nome dele seria mudança. Queria poder guardá-lo numa caixinha, pra que eu pudesse revê-lo como se vê um video antigo... em que você diz "como eu era horrível" ou "ela era minha melhor amiga",  ou então não dizer nada e só engolir a vontade de chorar, ou ao menos tentar.  Mas como eu ia dizendo, esse ano tive muito o que aprender. A minha tão sonhada liberdade e aquela ansiedade do poder morar sozinha, de brincar de se mandar, parou de ser apenas brincadeira. Não é fácil viver de macarrão, sanduíche e comida por quilo. Ter que controlar a grana e as vezes fazer milagre com ela. Mas se sai pra beber, eu bebi demais. Festas, baladas e dor de barriga de tanto rir ao lembrar das coisas inéditas que acabam acontecendo nessa fase. Conheci muita gente, e já tenho muito carinho por elas. Aprendi a lavar roupa, a limpar a casa. Aprendi que a melhor forma de aprender é quando ninguém te cobra nada, é quando você tem que começar a se cobrar de verdade... é tudo, ou não é nada. Quando aquela ansiedade de quem ta saindo das casas dos pais abafa, muita coisa nova e boa vem também. Hoje eu não tenho ninguém pra me cobrar o guarda-roupa arrumado, controlar horários... mas também ninguém mais lava as minhas meias. Eu sei que ainda tenho muita coisa pra aprender...  e eu quero muito aprender tudo isso.
"— Por que não ter memórias? Os buracos negros, eu quis dizer. Mas fiquei quieto, desejando apenas ter um disco qualquer de cítara tocando para que nesse momento pudéssemos interromper a conversa para prestar atenção num acorde qualquer entre duas cordas, mais um silêncio que um som. Sempre podíamos ouvir a chuva, seu bater compassado na vidraça. Ou acompanhar com os olhos as gotas escorrendo atrás do roxo e do amarelo. De pontos diferentes, às vezes duas gotas deslizavam juntas para encontrarem-se em outro ponto, formando uma terceira gota maior. Mas talvez ele achasse tedioso esse tipo de diversão. —Ter memórias — repeti." Caio F.